Les Fleurs du Mal(As Flores do Mal)!

Olá, no post de hoje lhes apresentarei Charles Baudelaire, um dos mais famosos poetas franceses. Sua poesia era á frente de sua época. Uma época onde o conservadorismo prevalecia, ele ia na contramão da sociedade, vivendo seu próprio estilo de vida.
Charles Baudelaire, 1862

Charles Baudelaire foi um poeta francês, nascido em 9 de abril de 1821.
Levava uma vida boêmia, cheia de vícios. Considerado um dos percursores do Simbolismo e fundador da poesia moderna. Segundo ele suas poesias eram para “extrair a beleza do mal”, a tragédia essencial do ser humano. Por seu estilo de vida e pelos poemas que escrevia, era considerado um “poeta maldito”, assim como outros poetas também com o mesmo estilo.
Até hoje sua obra influencia a literatura mundial. Em suas havia um pouco de idealismo romântico, mas explorava mais temas sombrios e eróticos, como sexo, sensualidade, morte, tristeza, melancolia, doenças, entre outros.
Sua obra prima foi um livro intitulado Les Fleurs du Mal(As flores do mal) publicado em 25 de junho de 1857, contendo 100 poemas divididos em 5 seções. Porém, foi multado e censurado pela justiça francesa, pois 6 desses poemas foram considerados impróprios, feriam a moral pública. Baudelaire os retirou e os reescreveu.
Morreu aos 46 anos de idade em 31 de agosto de 1867, em Paris.
*Poetas ou escritores malditos, é uma expressão criada para identificar autores que tiveram suas obras censuradas em sua época. Devido á censura, suas obras ficam por muito tempo sem chegar a um número grande de leitores. A maioria só consegue sucesso e reconhecimento após sua morte, como aconteceu com Charles Baudelaire.
Em outro post farei uma lista com esses poetas.
Abaixo 3 dos poemas que foram censurados do livro As Flores do Mal de Charles Baudelaire:
As Jóias (Les Bijoux)
A amada estava nua e, por ser eu o amante,
Das jóias só guardara as que o bulício inquieta,
Cujo rico esplendor lhe dava esse ar triunfante
Que em seus dias de gloria a escrava moura afeta.
Quando ela dança e entoa um timbre acre e sonoro,
Este universo mineral que à luz fulgura
Ao êxtase me leva, e é com furor que adoro
As coisas em que o som ao fogo se mistura.
Ela estava deitada e se deixava amar,
E do alto do divã, imersa em paz, sorria
A meu amor profundo e doce como o mar,
Que ao corpo, como à escarpa, em ondas lhe subia.
O olhar cravado em mim, como um tigre abatido,
Com ar vago e distante ela ensaiava poses,
E o lúbrico fervor à candidez unido
Punha-lhe um novo encanto às cruéis metamorfoses.
E sua perna e o braço, a coxa e os rins, untados
Como de óleo, a imitar de um cisne a fluida linha,
Passavam diante de meus olhos sossegados;
E o ventre e os seios, como cachos de uma vinha,
Se aproximavam, mais sutis que Anjos do Mal,
Para agitar minha alma enfim posta em repouso,
Ou arrancá-la então à rocha de cristal
Onde, calma e sozinha, ela encontrara pouso.
Como se à luz de um novo esboço, unida eu via
De antíope a cintura a um busto adolescente
De tal modo os quadris moldavam-lhe a bacia.
E a maquilagem lhe era esplêndida e luzente!
– E estando a lamparina agora agonizante,
Como na alcova houvesse a luz só da lareira,
Toda vez que emitia um suspiro faiscante,
Inundava de sangue essa pele trigueira.


O Letes (Le Léthé)
Vem ao meu peito, ó surda alma ferina,
Tigre adorado, de ares indolentes,
Quero os meus dedos mergulhar frementes
Na áspera lã de tua espessa crina;
Em tuas saias sepultar bem junto
De teu perfume a fronte dolorida,
E respirar, como uma flor ferida,
O suave odor de meu amor defunto.
Quero dormir o tempo que me sobre!
Num sono que ao da morte se confunde,
Que o meu carinho sem remorso inunde
Teu corpo luzidio como o cobre.
Para engolir-me a lágrima que escorre
O abismo de teu leito nada iguala;
O esquecimento por teus lábios fala
E a águas do Letes nos teus lábios corre.
O meu destino, agora meu delírio,
Hei de seguir como um predestinado;
Mártir submisso, ingênuo condenado,
Cujo fervor atiça o seu martírio,
Sugarei, afogando o ódio malsão,
Do mágico nepentes o conteúdo
Nos bicos desse colo pontiagudo,
Onde jamais pulsou um coração.


A que está sempre alegre (À celle qui est trop gaie)

Teu ar, teu gesto, tua fronte
São belos qual bela paisagem;
O riso brinca em tua imagem
Qual vento fresco no horizonte.
A mágoa que te roça os passos
Sucumbe à tua mocidade,
À tua flama, à claridade
Dos teus ombros e dos teus braços.
As fulgurantes, vivas cores
De tua vestes indiscretas
Lançam no espírito dos poetas
A imagem de um balé de flores.
Tais vestes loucas são o emblema
De teu espírito travesso;
Ó louca por quem enlouqueço,
Te odeio e te amo, eis meu dilema!
Certa vez, num belo jardim,
Ao arrastar minha atonia,
Senti, como cruel ironia,
O sol erguer-se contra mim;
E humilhado pela beleza
Da primavera ébria em cor,
Ali castiguei numa flor
A insolência da Natureza.
Assim eu quisera uma noite,
Quando a hora da volúpia soa,
Às frondes de tua pessoa
Subir, tendo à mão um açoite,
Punir-te a carne embevecida,
Magoar o teu peito perdoado
E abrir em teu flanco assustado
Uma larga e funda ferida,
E, como êxtase supremo,
Por entre esses lábios frementes,
Mais deslumbrantes, mais ridentes, Infundir-te, irmã, meu veneno!

*Os outros 3 são “Lesbos”(Lesbos); “Mulheres Malditas”(Femmes damnées) e “As metamorfoses do Vampiro”(Le métamorphoses du vampire).



Espero que tenham gostado, fiquem a vontade para comentar os posts e também sugestões! :)

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